Cuidemo-nos para a gentileza política

Flor de Oscar Niemeyer

Por Alexandre Lucas* 

O ato de tomar decisão implica em afetar o outro, o ato de afetar o outro provoca uma nova tomada de decisão, essa síntese dialética comunga que as relações sociais se dão em processos não estáticos, mas de ação, reação, transformação, rejeição, atração, desconstrução, unidade, divisão e antagonismo. Diferentemente dos cálculos matemáticos, nas relações humanas, os resultados nunca são exatos. 

Partindo do campo da micropolítica como é possível pensar formas de atuação política que possam afetar positivamente para o nosso ganho político nas trocas nas relações humanas? Mas ao mesmo tempo compreendendo que numa sociedade de classes sociais antagônicas, não existe harmonia, mas conflito, disputa pelos espaços de poder. 

Se o cálculo da luta política é complexo, subjetivo e incerto se faz necessário ter uma bússola que possa orientar a compreensão para não cairmos no romantismo idealista, no determinismo ou no cada um por si. Dentro deste aspecto, tomo por base, a luta de classe como elemento possível de compreensão da disputa política e as condições objetivas como elo concreto para compreensão da realidade.   

É preciso aferir no calor da luta, a nossa força de combate, a nossa capacidade de aglutinação e de se fazer compreendido e isso em primeira instância ocorre nos micros espaços de disputa e de poder. Quem iremos querer aglutinar do nosso lado? Para quem queremos falar e o que iremos combater e defender?  Essas são questões que nos fazem  redimensionar da micropolítica para a macropolítica, o que nos colocar diante da possibilidade de relacionar os fatos e ações locais a dinâmica mais complexa da realidade global da sociedade. 

É nessa dinâmica de conflito e de tomada de decisão que atuamos e que precisamos crescer para tomar o poder! Isso mesmo tomar o poder e saber o que fazer com ele. Tomaremos o poder, porque ele não será dado, os donos dos meios de produção não dividirão seus lucros, suas terras, suas empresas e os seus capitais com a classe do proletariado, é preciso tomar para dividir e gerar desenvolvimento social.  

Essa ruptura política possivelmente não ocorrerá de forma pacífica. Não será de paz e amor, nem de segmentação de causas, como demonstra as histórias das lutas de classes da humanidade.   

Ao mesmo tempo é preciso pensar na construção dos organismos vivos de luta das camadas populares para a construção de um projeto de poder popular, o que se entrelaça com o cuidar do eu, do outro e do coletivo na compreensão política e no compartilhamento da afetividade, da partilha e da gentileza humanitária.   Esse processo de troca pode aprofundar e consolidar os laços que une as convicções políticas e reoxigenar uma nova cultura política.  Em que o exemplo de combatividade, afetividade e generosidade possam se tornar compostos da teoria e vice-versa. 

*Pedagogo, artista/educador e integrante do Coletivo Camaradas  

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