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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Ocupação Fotográfica em Barbalha


Fotógrafos profissionais, curiosos e amantes da fotografia

Neste domingo, a partir das 7h00 ( manhã),na Praça Cristo Reis - Crato  está sendo organizado pelos diversos Coletivos da região do Cariri  (Coletivo Camaradas, Xicra, Bando, Café com Gelo, Poesia da Luz), a OCUPAÇÃO FOTOGRÁFICA  em Barbalha, por conta da Festa do Pau de Santo Antônio. A intenção é registrar o cortejo que reúne os mais diversos grupos da cultura popular e toda a movimentação na cidade. 

Iremos para Barbalha no ônibus da Via Metro. Leve sua maquina fotográfica ( amadora, semi ou profissional). A OCUPAÇÃO FOTOGRÁFICA EM BARBALHA  é uma forma de registrar a memória social/cultural e diversa do povo brasileiro. 

Esse será um importante momento para aproximar coletivos, amigos e artistas.   



Informações: (88)88260008 - 92604870 - 96616516 
         

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Izaíra Silvino – Democratizar a educação para democratizar a música

Professora, escritora, poeta, compositora, arranjadora, regente, mulher e aprendiz, Izaíra Silvino tem desempenhado um papel importante na música no Estado do Ceará. Tendo iniciado seus primeiros contatos com o universo musical na infância, Izaíra é contundente ao afirmar que para democratizar a música “é preciso democratizar a educação do povo brasileiro, em todos os níveis e espaços. Feito isto, a democracia é possível, em qualquer ângulo!”.

Alexandre Lucas – Quem é Izaíra Silvino? 

Izaíra Silvino - No momento, estou sendo empresária, trabalhadora de uma das cadeias produtivas da Economia Criativa (editoração e produção). Estou uma das proprietárias da DIZ Editor(A)ção). Estou professora - eventualmente - e estou palestrando sobre as relações da música com a educação. Desafio-me a continuar sendo compositora, arranjadora, escritora e poeta . 

Alexandre Lucas – Com se deu seu contato com a música? 

Izaíra Silvino - Ainda criançinha, minha Mamãe e meu Papai descobriram-me amante da Música (eu cantava desde o berço). Aos cinco anos, já estava frequentando aulas da Professora Amélio Cavalcante (uma pedagoga musical de Iguatu-CE), com quem aprendi a tocar bandolim (1950). Desde então, estou em mergulho musical perene, onde, ainda, aprendo a nadar! Alexandre Lucas – Fale da sua trajetória: Izaíra Silvino - Fui violinista da Orquestra Sinfônica Henrique Jorge (anos sessenta), fui Professora de Educação Artística (escolas municipais, Fortaleza e Crato, e estaduais - anos setenta), fui professora da FACED- UFC e Regente dos Corais da UFC e FACED-UFC, do Coral da Biodança, do Coral da EMBRATEL, do Coral Santa Cecícia da SOLIBEL - anos oitenta e noventa e Grupo Vocal Moenda de Canto (anos noventa). Assessora da FUNARTE, nos Painéis de Coros, desde 2002. Fiz-me Bacharela em Ciências Jurídicas e Sociais pela UFC (1969), Licenciada em Música pela UECE (1973), Especialista em Música do Século XX pela UECE (1995), Mestra em Educação pela UFC (1996). 

Alexandre Lucas – Você acredita que a Academia elitiza a música? 

Izaira Silvino - De minha experiência, posso responder NÃO a esta questão. Mas se levarmos em consideração o número de habitantes de um lugar e relacionarmos este número com o número percentual de pessoas que alcançam e vivem e frequentam as atividades fins da academia (conhecimentos vivenciados e construídos a partir do ensino, da pesquisa e da extensão universitária), pode-se falar em ELITE. Mas não em 'elitismo'. Na academia trabalha-se conhecimentos já sedimentados, como, também, trabalha-se com conhecimentos de vanguarda. Vamos dizer que isto seja como a 'nata' da realidade. Mas é bom lembrar que não existe 'nata' sem leite. Então, não existe academia sem uma realidade posta. Isto, a meu ver, desmonta o argumento de elitismo. 

Alexandre Lucas – Como ver essa denominação de música popular e erudita? 

Izaira Silvino - Para mim, esta divisão não existe. Ela foi estabelecida por uma lógica de exclusão. Quem divide, termina por diminuir, não é isto? Música, a gente compartilha, não divide. Milhões de pessoas podem ouvir, ao mesmo tempo, a mesma música. Sem divisões. Claro que, de uma composição para outra composição, há diferenças: estéticas, estilísticas, gramaticais, teóricas, históricas, autorais... mas divisões? Nunca! Tudo é Música. Tudo espaços sonoros-rítmicos, organizados a partir do poder expressivo do compositor. Qualquer idéia de divisão é falsa, elitista, racionalista, manipuladora. 

Alexandre Lucas – É preciso democratizar a produção musical brasileira? 

Izaíra Silvino - É preciso democratizar a educação do povo brasileiro, em todos os níveis e espaços. Feito isto, a democracia é possível, em qualquer ângulo! Alexandre Lucas – A obrigatoriedade do Ensino de Musicas nas Escolas de Ensino Básico é uma forma de democratizar a diversidade musical? Izaíra Silvino - É uma forma de ampliar a formação do povo brasileiro, portanto, de ampliar os espaços de democratização - de saberes, poderes, vozes, do diverso, do uno, da grandeza, da fartura (no plano individual, como no plano coletivo)! 

Alexandre Lucas – Qual a contribuição social do seu trabalho? 

Izaíra Silvino - Ih!!!!!!!!! Quem sou eu para ter a veleidade de medir se há esta contribuição!? Quando a gente nasce com um corpo e ocupa um espaço neste planeta, a gente já é contribuinte, de vida e da própria vida! Se a gente contribui positiva ou negativamente? Isto, quem sabe é quem recebe e compartilha. Para nós, atores da vida, autores de nossa sina, só resta aprender a AMAR! Alexandre Lucas – A música denominada de Música Popular Brasileira – MPB desempenhou um importante papel no enfretamento a Ditadura Militar no Brasil. Você acredita que os músicos perderam essa viés político na contemporaneidade? Izaíra Silvino - Não sei se perderam... Mas custa-se, hoje, 'achar' a cor deste viés! Da mesma forma como, também, é muito difícil identificar as 'ditaduras' que nos assolam neste momento vivido. 

Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos? 

Izaíra Silvino - Aprender, aprender, aprender. Aceitar os desafios da vida! Dizer sim ao amor e ao aprendizado do amor! Viver a corda bamba da adolescência da minha velhice!

Carta de Sobral


Nós, reunidos em Sobral, Ceará, Brasil, de 23 a 26 de maio de 2012, no marco do primeiro “Nossas Américas, Nossos Cinemas”, participamos do primeiro encontro de jovens realizadores da América Latina e Caribe, unindo 16 nações, promovendo um intercâmbio entre gerações. Entendemos a juventude como um estado de espírito em luta, sem preconceitos e aberto e nos reconhecemos como povos irmãos.
Este encontro tem, como objetivo, refletir, compartilhar experiências dos realizadores audiovisuais e gerar ações sobre a linguagem audiovisual, a comunicação, com o fim de manter vivo um movimento integrador da nossa “AbyaYala” (América Latina e Caribe).
Trabalhamos com as heranças milenárias herdadas dos povos originários, transmitida aos povos transplantados, brancos pobres e escravos africanos trazidos por barcos colonizadores, e reinventados pelos povos presentes neste encontro.
Reconhecendo e recusando a ditadura do mercado que oprime nossos povos e seus imaginários culturais, seguiremos os seguintes princípios:
1.       Considerando A “DECLARAÇAO UNIVERSAL SOBRE A DIVERSIDADE CULTURAL”, da UNESCO, entre outros instrumentos internacionais que garantem a identidade e diversidade cultural a partir da produção cultural, entendemos a realização audiovisual como um direito humano;
2.       Exigir e proteger a plena vigência do direito à linguagem cinematográfica e audiovisual dos nossos povos, promovendo legislações que o garantam a cada uma de nossas nações;
3.       Entendemos o audiovisual como um fato político e artístico de ressignificação e transformação sociocultural;
4.       Apoiar os direitos do público com base nos conceitos marcados pela Carta de Tabor (1987), criada pela FICC (Federação Internacional de Cineclubes), para a formação de públicos pela ação dos cineclubes e das salas de cinema cultural, também apoiando e difundindo o dia 10 de maio como o dia do público;
5.       Garantir a alfabetização e educação audiovisual dos nossos povos, na sua dimensão artística e política, encorajando a leitura crítica dos meios de comunicação;
6.       Exigir o direito a livre comunicação, informação, expressão e acesso aos meios audiovisuais para todos os povos da América Latina e do Caribe;
7.       Defender o espectro radioeletrônico e a internet como bens públicos comunitários com a finalidade de preservar o espaço da comunicação sem censuras, tendo como referência a “LEY DE MEDIOS Y SERVICIOS DE COMUNICACION AUDIOVISUAL”, da Argentina, e a nova “LEY DE TELECOMUNICACIONES”, da Bolívia. Também nos declaramos abertamente contra o projeto “ACTA”, a lei “SOPA” e qualquer outro ato que ameace a liberdade de expressão dos povos e nos propomos a fomentar o uso das licenças “creativecommons” e bases operativas como o LINUX, e outros softwares livres;
8.       Acompanhar e estimular os processos já existentes na organização do setor audiovisual, que compartilhem os mesmos princípios levantados por essa Carta, e recomendar a sua criação a níveis locais, regionais e nacionais, onde não existam;
9.       Exigir dos Estados garantias constitucionais para os realizadores que sofrem perseguição e ameaças a sua integridade física e intelectual. Exigimos o tratamento especial diferenciado do realizador e realizadora audiovisual, da mesma forma que recebem os jornalistas com relação à proteção e reserva das suas fontes;
10.    Incrementar espaços e oportunidades de acesso à informação e capacitação integral, bem como tecnologias já existentes e por serem inventadas, com o fim de garantir o direito de produção e circulação do audiovisual dos povos da América Latina e do Caribe;
11.    Promover mecanismos de fomento, sustentabilidade e continuidade dos processos de produção audiovisual dos povos da América Latina e do Caribe;
12.    Promover a integração cultural latino-americana e caribenha, respeitando a nossa diversidade cultural com o fim de exercer um processo de compreensão de uma identidade comum;
13.    Fomentar o pensamento, trabalho e tomada de decisões de maneira coletiva, respeitando as particularidades e construindo nossos laços com base na transparência e horizontalidade;
14.    Estabelecer a regularidade e itinerância deste espaço, de caráter aberto em “AbyaYala”, com rotatividade dos representantes, que devem socializar localmente os debates levantados nos encontros;
15.    Instituímos a rede virtual como meio válido de vinculação e discussão;
16.    Defendemos a liberdade criativa de formatos e estéticas na linguagem audiovisual, respeitando e fomentando a diversidade dos imaginários culturais dos nossos povos e nações latino-americanos e caribenhos, não permitindo nenhuma hegemonia estética imposta;
17.    Promover a solidariedade, a cooperação e o trabalho associativo entre os nossos povos;
18.    Promover a produção audiovisual com atitude critica e superadora sobre os nossos imaginários, realidades, histórias, espaços comuns, semelhanças e contradições;
19.    Gerar uma interação direta entre as produções audiovisuais e os públicos, por meio de todos os formatos e linguagens existentes e por serem criados;
20.    Fomentar o uso das línguas ancestrais dos povos originários, e dialetos da América Latina e do Caribe para ampla difusão dos conteúdos audiovisuais produzidos pelas comunidades, tendo como referência o artigo 16 da “Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas” e outros instrumentos internacionais;
21.    Convocar para este espaço as nações e povos hoje ausentes neste encontro, procurando a integração e representação de todos os povos e nações que habitam os países da América Latina e do Caribe;
22.    Reconhecer como válida a experiência e formação não-acadêmica, acreditando na importância dos conhecimentos vivenciais nas áreas não-pedagógicas;
23.    Fortalecer o eixo fundamental dos espaços de formação e capacitação acadêmicos e não-acadêmicos, de realizadores audiovisuais, no exercício da memória e história de nossos povos;
24.    Cremos importante gerar o intercâmbio e distribuição de obras audiovisuais traduzidas nas línguas faladas no nosso continente. Nesse sentido, comprometemo-nos, de forma colaborativa, a traduzir, dublar e legendar as obras audiovisuais e documentos que produzirmos;
25.    Este processo não obedece a interesses político-partidários. Sendo este grupo multinacional, composto por diversos setores da sociedade civil, entidades governamentais, grupos prontos ao debate e à recomendação de propostas de políticas públicas para o audiovisual e à comunicação dos nossos povos.

Ações:
Decidimos pela criação de diversos grupos de trabalho responsáveis pelas seguintes ações:

Comunicação:
1.       Criação e manutenção de uma lista de comunicação via internet. O moderador da rede se alternará em cada um dos encontros;
2.       Criação de um Portal;
3.       Criação de um boletim eletrônico mensal.

Intercâmbio e Residência Audiovisual:
1.       Formar um grupo de coordenadores, um em cada país, para o desenvolvimento desta experiência na América Latina e no Caribe, com o compromisso de criar uma lista de anfitriões e residentes;
2.       As modalidades de residência serão definidas pelas partes envolvidas caso a caso.

Declarações:
1.       Declaramos nosso apoio à promulgação da nova lei cinematográfica e audiovisual do Peru, por parte das instituições de que participamos neste encontro, e o faremos, formalmente, por meio de uma carta;
2.       Manifestamos o apoio à criação e aplicação das leis de cinema e audiovisual que estão sendo debatidas no Paraguai, atualmente em etapa de construção;
3.       Expressamos nossa preocupação e exigimos de nossos governos cessar a guerra, o genocídio e a perseguição infligidos aos povos indígenas e afrodescendentes da Colômbia, e deter a onda de violência vivenciada em países como México que limitam o livre desenvolvimento dos direitos a justiça e a comunicação democrática;
4.       Apoio à continuidade e permanência da Jornada de Cinema da Bahia, encontro que já tem 40 anos de atividades e que corre o risco de não se realizar este ano. Ressaltamos que, no seu contexto, nasceu a Lei do curta-metragem no Brasil e a Associação Brasileira de Documentaristas;
5.       Apoiamos a realização do encontro Cariri / Caribe;
6.       Saudamos a designação de 2012 como “Ano Internacional da Comunicação Indígena” e a celebração do XI Festival de Cinema Indígena de cineastas dos povos originários, na Colômbia, em setembro deste ano;
7.       Expressamos nossa profunda preocupação diante do próximo Encontro de Desenvolvimento Sustentável Rio+20, diante da forma autocrática como foi definida sua agenda em muitos casos, e diante do fato de os acordos tomados pelos presentes governos comprometerem gerações presente e futuras;
8.       Solidarizamo-nos com o fim do bloqueio a Cuba;
9.       No mês de novembro deste ano, realizaremos uma reunião na Tríplice-Fronteira, na cidade de Iguazú, Misiones, Argentina, com a finalidade de preparar o segundo encontro de Jovens Realizadores da América Latina e do Caribe, a ser realizado em 2013 no Peru.


Sobral, Ceará, Brasil, 26 de maio de 2012.





quarta-feira, 23 de maio de 2012

Ana Rosa Dias Borges - Uma perseguidora de memórias



Vasculhar,compreender e socializar as histórias de narrativas orais populares do Cariri cearense é um dos prazeres da historiadora e pesquisadora cultural Ana Rosa Dias Borges. A Professora reconhece que  “ao preservarmos nosso patrimônio cultural imaterial estamos contribuindo para o aprendizado da cidadania, tão necessário em nossos dias”. Autora do livro “Narrativas Orais no Barro Vermelho” que é um exemplo da importância do resgate da história a partir das relações de pertencimento e identidade 


Alexandre Lucas - Quem é Ana Rosa Dias Borges?   

Ana Rosa Dias Borges - Cratense, contadora de historias para crianças, avó, historiadora, professora, pesquisadora cultural, amante da arte literária, uma misturança só.

Alexandre Lucas – Você já vem desenvolvendo há muitos anos um trabalho de incentivo a leitura. Fale sobre esse trabalho.

Ana Rosa Dias Borges  - Quando trabalhava com editoras comecei a contar histórias para crianças na Rede de Ensino do Recife. Encantei-me com o que vi e senti ao contar histórias. A necessidade de aprofundamento no tema levou-me a cursar uma especialização em Literatura Infanto- Juvenil, que versou sobre os contos orais, das comunidades narrativas orais da Chapada do Araripe. E assim, de posse desse conhecimento teórico , que empiricamente já me seduzia, intensifiquei as ações de incentivo a leitura, publicando artigos em revistas especializadas em Literatura Infanto- Juvenil e Educação, contando as histórias compiladas da Serra do Araripe em bibliotecas e escolas em geral, oferecendo oficinas de formação para educadores em parceria com secretarias municipais de educação e na rede privada de ensino, prestando assessorias pedagógicas, ministrando palestras, sempre disseminando o encantamento que os contos fantásticos provocam naqueles que estão em processos construtivos literários.

Alexandre Lucas – Você é uma pessoa que busca a partir das suas pesquisas sobre narrativas orais criar relações de identidade e pertencimento com o povo.  Qual o significado disso?

Ana Rosa Dias Borges - O sentimento de pertença e identitário inerente ao ser humano são compartilhados por um mesmo grupo social, ou seja, o mesmo imaginário social. De forma que as idéias, os costumes, as tradições e os mitos fundam uma realidade social e deveriam estar presentes nos processos construtivos educacionais escolares, pois ao preservarmos nosso patrimônio cultural imaterial estamos contribuindo para o aprendizado da cidadania, tão necessário em nossos dias. E as narrativas populares orais, tem esse poder. Elas carregam consigo toda essa gama de simbolismo, valorizam no ser sua identidade cultural o que desencadeia os questionamentos necessários relacionados àquilo que somos e o porque do que somos.

Alexandre Lucas – Você lançou o livro “Narrativas Orais no Barro Vermelho”. Como foi esse trabalho? 

Ana Rosa Dias Borges - A artesania do livro Narrativas Orais no Barro Vermelho teve início quando o projeto que enviei ao MINC foi aprovado. Um programa denominado, Micro Projetos Mais Cultura, que contempla iniciativas culturais de cunho popular e abrangência comunitária.

Assim como eu já tinha desenvolvido a pesquisa dos contos populares na Chapada do Araripe e encontrava-me completamente envolvida com o tema narrativas orais populares, decidi dar continuidade ao trabalho, agora na cidade do Crato. A escolha do Alto da Penha, antes Barro Vermelho, se deu em função de ser essa uma comunidade emblemática, estigmatizada, uma das primeiras áreas periféricas da cidade, com um imaginário coletivo repleto de mitos, lendas, assombrações e também a formação de um tecido social interligada a formação histórica do Crato. Ademais, na minha infância, morei muito próximo e desenvolvi laços afetivos e identitários com o bairro.  

Alexandre Lucas – Você desenvolveu um trabalho de resgate da história dos  Dramas na cidade do Crato. Conte essa história.  

Ana Rosa Dias Borges - Quando criança, no Sitio Guaribas, localizado no Sopé da Capada do Araripe, tive a alegria e o imenso prazer de viver toda a magia dos Dramas. As moças do lugar, antes das festas natalinas, apresentavam os Dramas, que eram duetos cantados, em um palco improvisado, ora em cima de um caminhão, ora em cima de uma grande mesa, ora em uma calçada alta

Alexandre Lucas – Você acredita que a história da nossa ancestralidade vem sendo perdida?

Ana Rosa Dias Borges - Embora ocorram movimentos educativos e culturais com vistas a deter esse processo, percebe-se que são iniciativas tímidas e de abrangência diminuta. Muito da nossa ancestralidade histórica se perdeu. Entretanto, os aprofundamentos e as discussões acadêmicas, as ações dos organismos não governamentais nesse sentido e a implantação dessa temática no Sistema de Ensino Regular, vislumbram a contra mão dessa constatação.

Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos?  

Ana Rosa Dias Borges - De certo estarei sempre envolvida em pesquisas que versam sobre as temáticas populares em memória. No momento estou amadurecendo a idéia de outra publicação. Faltam apenas os recursos. Mas estamos na busca e a concretização dessa ideia muito me fascina.





quarta-feira, 16 de maio de 2012

Josenir Lacerda - A fala mansa do encanto


A cordelista carrega uma exuberância de versos fraternos na forma de lida com a literatura.  Josenir Lacerda é uma das inúmeras mulheres do Cariri que escreve cordel e que transita cotidianamente no universo da arte. Integrante da Academia dos Cordelistas do Crato e da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Josenir montou na sua própria casa uma budega para divulgar o artesanato e a literatura “popular”, na qual recebe artistas e pesquisadores de diversos estados brasileiros para beber da sua deliciosa conversa mansinha.       






Alexandre Lucas - Quem é Josenir Lacerda?

Josenir Lacerda –
Sou poeta, cordelista
Sou dedicada artesão
Natural aqui do Crato
E dele ardorosa fã
Retalhos de “ser feliz”
Emendo a cada manhã
Garanto que ainda sou
A mesma eterna criança
Que brinca de embalar sonhos
De fabricar esperança
Na mente imaginativa
A fantasia inda dança
Elói Teles, Patativa
Também o Cego Aderaldo
Os meus pais e meus avós
Professor Zé Esmeraldo
São exemplos de vida
Meu incentivo e respaldo.
Pela arte popular
Sinto um amor verdadeiro
Vejo em nossa tradição
Rico e cultural celeiro
Que transforma o Cariri
Em vasto e fértil canteiro.

Alexandre Lucas - Quando teve início o seu despertar pela Leitura?


Josenir Lacerda – Na infância ainda, começou meu interesse pela leitura.
 
Alexandre Lucas – Qual a influência do seu trabalho?


Josenir Lacerda – Tenho admiração por vários poetas e escritores, o que me estimulou a escrever, porém nunca me detive para tentar descobrir algum sinal que caracterizasse a influência de algum especificamente.
 
Alexandre Lucas – Fale da sua trajetória?


Josenir Lacerda – Escrevo por necessidade de comunicação, bloqueada pela timidez, desde a adolescência. Tenho alguns cordéis publicados antes do meu ingresso na Academia dos Cordelistas do Crato em 1991 e hoje e conto com uma significativa produção divulgada em alguns pontos do Brasil. Em 2010 ingressei na Academia Brasileira de Literatura de Cordel no Rio de Janeiro.

Alexandre Lucas – Qual foi o seu primeiro cordel?


Josenir Lacerda – Foi “O Manequim”, que continuava inédito, engavetado esperando seu momento. O primeiro editado, foi “A “cabôca” que enganou o santo” em parceria com Iris Tavares. E ao ingressar na ACC foi “Severino e Luzia ou As Proezas do Destino”.

 
 Alexandre Lucas – A região do Cariri se destaca pela quantidade de
 cordelistas. Isso influenciou a sua carreira poética?


Josenir Lacerda – A efervescência cultural do Cariri como um todo, estimula, contagia e influencia.
 
Alexandre Lucas – Você hoje faz parte da Academia Brasileira de
 Literatura de Cordel. O que isso representa para você?


Josenir Lacerda – Significa não só uma conquista pessoal como cordelista, mas a chance de representar a mulher caririense na conceituada instituição nacional do cordel.
 
Alexandre Lucas - Como você caracteriza a sua poética?


Josenir Lacerda – Prefiro não buscar uma característica específica, pois de certa forma isso gera um rótulo e tira um pouco da liberdade de explorar os temas. Costumo dizer que a inspiração é igual a menino “birrento” que chega puxando a saia da mãe querendo algo imediatamente nos momentos inoportunos e inusitados. Geralmente procuro atender ao tema sugerido pela “musa” sem me preocupar em manter uma linha ou característica. Talvez minha poética tenha essa característica: “diversidade de temas“.
 
Alexandre Lucas – A sua residência se tornou ponto de referência para
 a pesquisa sobre cultura popular por conta do espaço que você criou
 “Cordel e Arte”. Isso contribui para a sua produção poética?


Josenir Lacerda – Contribui sim, pois cada contato oferece um pouco de conhecimento, aprendizado, informação e isso alimenta a criatividade e estimula a produção.
 
Alexandre Lucas - O que é a poesia para você?


Josenir Lacerda – A poesia pra mim
É uma amiga sincera
Que assume meus queixumes
Faz de inverno, primavera
Compreende os meus medos

Guarda fiel meus segredos
Meu sonho, minha quimera.
 

terça-feira, 15 de maio de 2012

Paleontologia e arqueologia no Cariri



Aprofundar e socializar a produção e conhecimento cientifico na área de Paleontologia e Arqueologia é um dos objetivos do II Encontro Universitário de Paleontologia e Arqueologia do Cariri. Esse evento será realizado no período de 30 de maio a 02 de junho de 2012, na Universidade Regional do Cariri – URCA, na Cidade de Crato - CE.  

A Região do Cariri, conhecida pela quantidade e qualidade de seus fósseis provenientes da Bacia do Araripe ainda sofre com o descaminho que seus fósseis sofrem para museus e coleções particulares de todo o mundo. A arqueologia começa a ter o seu despertar através das primeiras escavações arqueológicas que acontecem em Nova Olinda - CE e do trabalho realizado pela Casa Grande de Nova Olinda.

O despertar de novas gerações para essa área do conhecimento é a principal saída para a preservação desse patrimônio nacional.

A região do Cariri é um dos locais importantes para a pesquisa cientifica nas áreas arqueológicas e paleontológicas, pois tem alcançado um destaque cada vez maior nas pesquisas básicas a nível mundial, particularmente nas duas últimas décadas. Este crescimento resultou no aumento da atividade de coleta de fósseis em depósitos paleontológicos classificados como Konservat-Lagerstätten (com uma quantidade muito grande de fósseis com preservação excepcional).

A realização de eventos dessa natureza traz como conseqüência direta o calor preservacionista de jovens estudantes e da comunidade em geral, bem como o despertar de novas mentes para o estudo da Paleontologia, da Arqueologia, da evolução ebiodiversidade na Região do Cariri.

Não é difícil entender que o tema é de interesse para a região, principalmente quando se fala sobre turismo da região. Até hoje, mais de 200.000 visitantes estiveram no Museu de Paleontologia da URCA em Santana do Cariri, numa cidade que tem apenas cerca de 7 mil habitantes. Número similar, à visita a Casa do Homem Cariri em Nova Olinda, para conhecer os vestígios dos índios Cariris, antes da chegada dos colonizadores portugueses. Entre estes visitantes, destacam-se inúmeros pesquisadoresnacionais e estrangeiros.

A maioria das pessoas confundem a arqueologia com a paleontologia, apesar de as duas ciências utilizarem as mesmas técnicas de investigação, elas diferem nos objetos que estudam.

O II Encontro Universitário de Paleontologia e Arqueologia do Cariri constará de palestras, mini-cursos, Oficinas e vivências. Essas vivências ocorrerão na Fundação Casa Grande (Casa do Homem Kariri) Mina de Calcário, na cidade de Nova Olinda/CE
e no Museu de Paleontologia da URCA (Santana do Cariri), onde o primeiro encontro realizado no ano de 2009 foi de suma importância para as duas ciências, pois muitos alunos tiveram um despertar para a pesquisa, contribuindo para o despertar de novos pesquisadores na região.

O Encontro é realizado pelo Laboratório de Paleontologia da URCA - LPU, do Geopark Araripe com os auspícios da Universidade Regional do Cariri – URCA e do Instituto Nacional de Arqueologia, Paleontologia e Ambiente do Semiárido - INAPAS.

Maiores informações no site
www.urca.br/encontropaleontologia/II
Contato:
(88) 8817-1458 (88) 9713-0925 (88) 9714-2141